21 janeiro 2026

Gilberto Ribeiro Contabilidade & Consultoria

Fraude contábil: como identificar e quais as penalidades para este crime

A integridade das demonstrações financeiras é o coração do mercado de capitais e da gestão empresarial. Quando um balanço é publicado, ele carrega consigo a confiança de investidores, a segurança de empregados e a base para a arrecadação de impostos que sustentam serviços públicos. 

No entanto, o cenário corporativo brasileiro e global frequentemente se depara com uma prática que corrói essa base: a fraude contábil. Diferente de um erro de digitação ou de uma interpretação equivocada de normas técnicas, a fraude é um ato deliberado de camuflagem. 

Em um mundo onde os dados ditam o valor de mercado, manipular a contabilidade tornou-se um crime sofisticado que, quando descoberto, provoca colapsos financeiros e danos irreparáveis à reputação das marcas envolvidas.

O que configura a fraude contábil?

De forma geral, qualquer estratégia que manipule intencionalmente a contabilidade de uma empresa é considerada fraude. O objetivo por trás do ato varia: desde inflar os ganhos para atrair investidores e valorizar ações, até a omissão de informações para reduzir drasticamente a carga tributária ou beneficiar terceiros indevidamente.

Diferente de um erro técnico, a fraude é premeditada. Se uma auditoria comprovar a manipulação, o impacto é em cascata: as finanças da organização são gravemente prejudicadas e os gestores envolvidos passam a responder criminalmente pelos seus atos.

Artifícios comuns e exemplos reais

Empresas que fraudam seus balanços utilizam uma série de artifícios para mascarar a realidade. Entre os exemplos mais recorrentes no mercado, destacam-se:

  • Manipulação de Patrimônio: Algumas empresas deixam de contabilizar a depreciação de seus bens ou o fazem com valores irreais. O objetivo é apresentar ao mercado um patrimônio muito superior ao que a empresa realmente possui.
  • Notas Frias: O uso de documentos com valores falsos para justificar registros que nunca ocorreram.
  • Gestão de Documentos: A destruição proposital de arquivos e registros para dificultar o rastreio em uma eventual auditoria.
  • Lançamentos Duplicados ou Omitidos: Inserir a mesma venda duas vezes ou “esquecer” de lançar uma dívida para alterar artificialmente o faturamento.

Quais as punições

As penalidades possíveis que estão na Lei nº 12.846/2013, chamada de Lei Anticorrupção  são:

  • Multa de até 20% no valor de faturamento da empresa;
  • Devolução do valor obtido com a fraude;
  • Suspensão das atividades da empresa;
  • Fechamento da empresa;
  • Proibição de receber incentivos fiscais, doações ou empréstimos de órgãos públicos

Papel das auditorias

Quando surge uma suspeita fundamentada, é realizada uma auditoria externa independente. Confirmada a fraude, os órgãos de fiscalização abrem processos que podem selar o destino da companhia.

Para evitar chegar a esse ponto, especialistas reforçam a necessidade de intensificar as auditorias internas. Implementar controles rígidos e uma cultura de conformidade (compliance) não é apenas uma escolha ética, mas uma estratégia de sobrevivência.

 Empresas envolvidas em escândalos raramente recuperam sua reputação perante o mercado e os consumidores.


Fonte: Jornal Contábil

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